A Compra dos Bancos

A Compra dos Bancos

Após um longo dia de trabalho, na finalização do dry wall, Paulo, membro da nossa igreja, chegou em casa exausto, o jantar era sua primeira refeição após o desjejum. Após o jantar, mesmo precisando dormir para trabalhar no dia seguinte, foi para o computador, como fazia há dias, pesquisar na internet anúncios de bancos à venda. Após a reforma da igreja, prédio comprado, tudo novinho, o carpete e as cadeiras velhas pareciam incomodar.

Os membros gostariam de ter bancos, para ter mais conforto e a igreja ficar mais bonita, mas cada banco precisava ser feito sob encomenda e custava mais 1.500 dólares. Em suas pesquisas Paulo encontrara muitas doações de bancos, mas todas nos Estados Unidos, era inviável. Ele orou muito até que um anúncio em Oshwa chamou a atenção. Dizia mais ou menos assim: “Bancos disponíveis, em boas condições, todos em madeira clara”. Era uma igreja que estava fechando e vendendo tudo. Bancos de madeira clara, combinariam perfeitamente com a nova pintura.

Paulo morava em Toronto, e, imediatamente ligou para a Fabiane e o Roberto, seus amigos de Oshwa, para que fossem ver os bancos por ele. Eles agendaram com o zelador da igreja e no dia seguinte a Fabiane ligou pro Paulo: “ Eu vi um, lá,… parece que é bom,… é de madeira”. O preço era excelente, 1.500 dólares por todos os bancos! Uau, o preço de um único banco. O Paulo combinou com alguns amigos da igreja, entre eles, Maciel, Isaias, pastor Odair Luca; alugaram um caminhão com uma oferta dos membros, e foram buscar os bancos.

O preço era tão bom que esqueceram de medir. Chegando na igreja, veio a dúvida: “vai caber ou não?”. Imediatamente, começaram a elaborar o plano B; talvez organizar os bancos sem corredor, talvez deixar alguns bancos no basement. Foram colocando banco por banco, e qual não foi a surpresa quando terminaram de colocar todos os bancos e eles couberam perfeitamente. Tão perfeito, que há um degrau no palco, do lado esquerdo, reservado para o piano, devido à esse degrau sobra o espaço para meio banco. E não é que entre os bancos havia um, cujo tamanho é de meio banco?

Mais de dez anos depois, eu cheguei na igreja. Eu, Sara; meu marido Heberti e minha filha Barbara. Era uma quarta feira à noite, véspera de páscoa. Fomos à igreja meditar no sacrifício de Jesus, como nosso costume. Eu passara o dia montando móveis e colocando as compras todas no lugar, fazia 50 dias que havíamos nos mudado do Brasil para Toronto. Meus pés estavam inchados, eu mal conseguia caminhar, grávida do Benjamin, hoje com sete meses, subi as escadas da recepção com dificuldade, ao chegar na porta do templo, o Maciel, um dos membros mais antigos da nossa igreja, veio nos cumprimentar.

A primeira coisa que eu disse quando ele abriu a porta e eu vi os bancos de madeira, foi: “precisa trocar esses bancos, Maciel”, rimos juntos, ele não entendeu nada, mas eu estava cansada e queria conforto. Eu não queria conforto só porque estava cansada, mas porque, por um momento, esqueci o principal motivo pelo qual eu estava ali. É fácil nos esquecer o real motivo pelo qual vamos à igreja. É humano ver apenas com os olhos e desejar apenas a satisfação própria esquecendo que fomos criados para adorar e, que ao aceitar a salvação, nascemos no Reino para espalhar o Evangelho. Deus é o autor da nossa vida e mais ainda da nossa fé, que nossa motivação ao participar de uma igreja seja sempre continuar o trabalho que foi começado em nós: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;” Filipenses 1:6.

Essa é a primeira das Histórias da Igreja, na versão do Paulo, escrita pela Sara.

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